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Racismo e desigualdades sociais: a igreja tem muito a ver com isso.

O Conecta Igrejas e Organizações com o tema: O Reino de Deus e uma cidade desigual foi um produtivo e impactante encontro promovido por Renas Rio, no último dia 13, para termos contato com algumas das desigualdades que afetam diretamente a população que está mais vulnerável no estado do Rio de Janeiro e que devem levar a igreja evangélica a pensar como sinalizar o Reino de Deus em meio às grandes desigualdades sociais. 

Sim, a igreja tem muito a ver com isso, sendo também afetada por esses problemas das cidades. Um deles o racismo, uma das crueldades que mais tentamos esconder em nossa sociedade e igrejas. Racismo é um pecado estrutural que precisa ser desnudado e combatido nas cidades e especialmente nas igrejas, onde somos de fato desafiados a sermos um em Cristo.

 

O encontro foi brindado por uma fala do Pr. Ricardo Aguiar, da Igreja Presbiteriana de Vila da Penha que acolheu o encontro, falando sobre a unidade no Corpo de Cristo. Foi projetado o documentário da Visão Mundial, Nossos mortos têm voz, que retrata vários casos de extermínio de jovens pobres, em sua maioria negros. Após a exibição, ouvimos o relato de duas mães que perderam seus filhos brutalmente assassinados pelo Estado, foi muito tocante. Embora em sofrimento, essas mães se uniram para denunciar as injustiças e trabalhar por uma cultura de paz, para que outros jovens não morram dessa maneira e outras mães não chorem seus filhos.

 

No intervalo, várias organizações expuseram seus materiais, compartilhando suas metodologias para o público presente. Cleisse Andrade, nossa diretora executiva,  representando a Lifewords, estava lá falando especialmente sobre o Projeto Calçada, que tem sido uma ferramenta muito útil para a restauração emocional nas comunidades.

 

Deu-se em seguida o Fórum com o tema do encontro. Foram abordadas a questão da violência contra a mulher por Érica Marins, da situação de privação de liberdade de adolescentes nas unidades do DEGASE, bem como mulheres encarceradas por Marilena Nascimento e o trabalho de desenvolvimento integral nas comunidades pelo Pr. Jovino Neto da JOCUM Borel. Um tempo especialmente rico e partilhado também nas perguntas dos presentes.

 

Encerrando o encontro, fui convidada para orar. Durante este momento, lembrei-me que dia 13 de julho era o 29º aniversário do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Por isso, convidei as crianças presentes a frente para serem abençoadas e representarem todas as mais de 61 milhões de crianças e adolescentes do Brasil. Foi um momento de agradecer os avanços na proteção e implementação dos direitos de crianças e adolescentes e clamar por justiça e equidade em cada comunidade de nosso país.

 

A partir daquele dia muitos olhos foram abertos para as reais situações de desigualdades em nosso estado, ao passo que nossa fé e coragem foram aumentadas pela esperança e renovadas no Deus que é Justo Juiz, para sermos instrumentos e levar alegria, paz e justiça, o Reino de Deus. 

 

“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” Romanos 17:14.  

 

Luciana Falcão da Silva

Coordenadora do Projeto Calçada – Brasil

Associação Lifewords Brasil

 

Grupo da RENAS Rio organizador do evento.