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No lugar onde Jesus sentiu-se tão protegido, crianças estão vulneráveis.

“Assim também o Pai de vocês, que está no céu, não quer que nenhum destes pequeninos se perca.”

Mateus 18.14

No ano de 2014, a Lifewords esteve presente na consulta de Lausanne, em Quito, no Equador. Na ocasião, foi discutida a temática de que a igreja deve trabalhar pela criança, para a criança e com a criança. Isso, mostrando a importância dela ser incluída em todas as atividades, principalmente dentro da igreja.

 

Cuidar da criança na igreja, requer compreender duas afirmativas importantes:

  • Deus deseja que todas as crianças e adolescentes sejam integrados a sua igreja.
  • A criança e o adolescente estão em condição peculiar de pessoas em desenvolvimento.

 

Jesus, em uma de suas falas acerca do cuidado com as crianças no Reino de Deus, afirmou que o Pai não quer que nenhum dos seus pequeninos se percam (Mateus 18.14). Ele adverte desta maneira aos seus seguidores a não negligenciarem o cuidado, o valor e o investimento que é necessário fazer para que as crianças sejam acolhidas na comunidade cristã e respeitadas enquanto pequeninas. Exortando, inclusive, acerca das práticas e testemunho de cada cristão adulto, pois seriam corrigidos pelo próprio Deus aqueles que escandalizassem ainda que somente um dos pequeninos.

 

Entende-se, portanto que Jesus estava orientando a sua igreja a reconhecer que a criança é parte integrante do seu corpo. A igreja deve, por isso, propiciar o crescimento cristão das crianças, observando-se suas peculiaridades: físicas, psicológicas e comunitárias.

 

O artigo 6º do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) salienta que é peculiar a condição de desenvolvimento de crianças e adolescentes como pessoas humanas. O ECA reafirma esse conceito no artigo 15º, que diz que:

“A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento.”

 

É maravilhoso observar como a lei de Deus, estabelecida há quase dois mil anos, é atualizadíssima no que se refere aos direitos de crianças e adolescentes que devem ser observados por todos em nosso país.

 

A igreja que observa as orientações de Jesus quanto à proteção de crianças e adolescentes está cumprindo as leis do nosso país. A igreja, e não somente aqueles que trabalham com crianças e adolescentes nela, deve estimular e garantir o direito a participação e opinião, a crença e o culto religioso, participação na vida familiar e comunitária, sem discriminação.

 

É importante que a igreja oriente seus membros a tratarem as crianças com dignidade e respeito, conforme Cristo fez em todos os seus contatos com as crianças. Jesus cuidou, protegeu, valorizou, curou, abençoou, acariciou, dirigiu a palavra à criança de modo a produzir vida. Tal exemplo não admite qualquer forma de tratamento cruel ou degradante como: castigos físicos, humilhações, apelidos ofensivos, negligência, inclusive espiritual, e toda forma de discriminação.

 

Há alguns anos atrás soube de uma igreja que levou todas as crianças para a cozinha, enquanto um bolo de aniversário da própria igreja, que não daria para todos, era partido entre os adultos. Infelizmente as crianças continuam sendo excluídas nas igrejas, se não desta maneira, mas quando as retiram do templo na hora da mensagem para uma sala, apenas para não atrapalharem, enquanto pouco ou nada ouvem de Deus e brincam aleatoriamente; quando um adulto ora novamente após ser pedido a criança para fazê-lo, por acreditarem que Deus não a ouviu, dado o seu jeito diferente de se expressar, ou quando tentando evitar esse mal estar é pedido que repitam as palavras de um adulto, mesmo quando algumas delas, as crianças mal conseguiam pronunciar; quando não estabelecem parâmetros aos cuidadores, deixando-os agirem com as crianças de acordo com o seu temperamento ou cultura. Ou ainda quando não se avalia a proteção das crianças no templo e espaços anexos, dificultando o seu acesso ou negligenciando sua segurança.

 

Quantos pequeninos estão vulneráveis no lugar onde Jesus sentiu-se tão protegido!

 

Um dia, Maria e José ficaram aflitos ao descobrirem que Jesus não havia voltado com eles de Jerusalém. Regressaram à cidade e o encontraram no templo, conversando com os mestres religiosos. Tão criticados mestres por nossa geração, mas que se inclinaram para ouvir um menino! (Lucas 2.41-52)

 

É difícil reconhecer que, enquanto igreja, não realizamos na plenitude o desejo de Deus, ao deixarmos escapar a oportunidade de instruir a criança no caminho em que deve andar e enquanto anda nele. Ainda mais se pensarmos que o olhar de Deus não se limita ao grupo de crianças de nossa igreja local; Deus quer que toda a igreja se envolva no resgate e desenvolvimento da fé cristã de todas as crianças. Precisamos cumprir esta missão de garantir o direito e mais, promover o desenvolvimento do relacionamento da criança com Deus, a partir de sua cosmovisão e de nossas interações e ensino.

 

A igreja citada acima mudou sua maneira de tratar as crianças e passou a desenvolver um trabalho de atendimento individualizado à criança e adolescente, de escuta, atenção e cuidado emocional e espiritual. Se você entende que sua igreja precisa melhorar na proteção das crianças, de modo que nenhuma se perca, comece por você. Trate as crianças como Jesus as tratou, seja modelo! Faça da proteção à criança como seu estilo de vida. Comece hoje reconhecendo e valorizando a importância das crianças na igreja e para a igreja. Jesus nunca perdeu a oportunidade de abençoar as crianças. Lembre-se: cada dia é um dia determinante no seu processo de crescimento.

 

Luciana Falcão – Coordenadora do Projeto Calçada no Brasil.